Publicado originalmente em 04 de maio de 2009
A maratona cultural que a cidade viveu no último fim de semana reforça a idéia de reconhecê-la como “cidade criativa”. Essa expressão tem sido usada há pouco tempo para designar as tendências se desenham hoje para as atividades econômicas e para as cidades. Cidades criativas são aquelas que se destinguem pelo alto grau de empreendedorismo de sua população entre outras características. Segundo o Instituto das Cidades Criativas ( ICC ) no Brasil, “caracterizam-se pela existência de uma produção artítica e cultural efervescente e pelo desenvolvimento de atividades ligadas à novas tecnologias e, pela capacidade de transformar invenção e inovação em novos negócios e novas possibilidades econômicas e sociais.”
Economia criativa, por sua vez, é um conceito se desenvolveu há alguns anos no interior da ONU. Abaixo temos uma breve defesa de sua pertinência feita pelo então secretário da UNCTAD, Rubens RIcupero:
...O panorama é universal: as cores deslumbrantes dos tecidos africanos, dos ‘panos da Costa’, como se dizia no Brasil de outrora, as tonalidades inesgotáveis dos saris indianos, as máscaras e esculturas do Mali, de Burkina,
do Congo, do Gabão, as pinturas do Haiti, do sul da África, o cinema do Irã, a poesia dos cordéis ou dos poetas repentistas do Nordeste, ficaríamos a encher páginas aqui se buscássemos fazer o inventário da criatividade anônima dos povos ditos atrasados. É essa diversidade das culturas e dos produtos que elas engendram que, desde tempos imemoriais, alimentou o comércio de sedas, damascos, brocados, incenso, perfumes, especiarias, entre Oriente e Ocidente, Sul e Norte. O que é inédito em nossos dias é a escala estonteante de multiplicação desses contatos e o aparecimento de um público de massa, de milhões de indivíduos com capacidade de compra, dispostos a pagar para assistir um concerto de cítara indiana ou de músicos tuaregues, comprando-lhes os discos editados por casas especializadas.
( in Economia criativa como estratégia de desenvolvimento : uma visão dos países em desenvolvimento
organização Ana Carla Fonseca Reis. – São Paulo : Itaú Cultural, 2008 )
A cidade de São Paulo se posiciona nesta direção.
Recentemente a Puglia viu reemergir sua antiga tradição musical, a “pizzica”. O ritmo da percussão que embala esta modalidade musical provém de um ritual cuja função é a de reanimar uma mulher ‘atarantada”, picada pela tarântula, e para isto ocorrer deve-se evocar São Paulo. Diz-se que o santo morou na cidade pugliese de Galatina e tinha enorme poder sobre aranhas, escorpiões, etc, por isso é evocado para salvar a pobre “pizzicata”. Sabe-se no entanto, que o ritual tem origem grega e que “Santu Paulu” ( como é conhecido no dialeto local ) apenas tomou o lugar do deus Dionísio ( Baco ) e que as oficiantes do ritual era as bacantes. Na terra do Papa seria extremamente perigoso evocar esse deus pagão.
José Celso Martinez há muito tempo evocou a presença das bacantes por aqui.
Tomara que finalmente Dionísio tenha vindo para ficar, que Santu Paulu se manifeste e que o econômico não faça o cultural esvaziar-se e cair no esquecimento na cidade de São Paulo.
Seria muita falta de criatividade.

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