terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Raízes da Puglia

José Carlos Bellantuono nasceu em São Paulo, no bairro do Sumaré, em 07 de outubro de 1969, porém, viveu na cidade de Monopoli todas sua vida. Explico: sua família voltou para Itália quando ele tinha seis meses de idade. De seu pai fotógrafo herda o olhar seletivo e a compreensão técnica dessa linguagem. 
Hoje, italianíssimo, o fotógrafo e creative designer parece buscar integrar uma “estranha” dimensão identitária que lhe pertence: a brasileira.
Para situá-lo melhor tomo emprestado o texto de apresentação de sua mostra reeditando-o:

“Reflexivo, maduro, mas ao mesmo tempo experimental, o trabalho de Bellantuono sempre tem como resultado final um forte impacto visual e expressivo, exatamente como neste último projeto Natural Elements, inspirado nos princípios da famosa ecoarte, cujos reflexos são a qualidade  de cada um dos exemplares desta exposição.
Nesta busca artística, Bellantuono volta seu olhar para os elementos naturais e as formas criadas por eles. Pugliese de ação, o fotógrafo e creative designer ítalo-brasileiro concentrou todo seu trabalho na poesia natural do território da Puglia e em seu cartão de visitas mais característico: as Oliveiras Seculares.
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Apesar do nome, o projeto "raízes da Puglia" inicia-se no Brasil durante uma viagem do autor no 
nordeste desta imensa nação.
Visitando o Instituto de Artesanato Baiano MAUA, o fotógrafo adquire esculturas em carvão do artista brasileiro Roberto Nascimento Dos Santos. A singularidade de suas obras está implícita na mensagem ecológica e artística que estas demonstram. Assim como troncos e raízes, desenhados pelo fogo, enfatizam o problema mundial do desmatamento da Amazonia, as Oliveiras seculares também podem nos mandar um pedido de ajuda.
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Autênticas esculturas vivas, as Oliveiras tornam-se o repositório da história da Puglia e dos Puglieses, que muitas vezes esquecem seu valor histórico, artístico, económico e turístico.
Assim, renovando seu tributo ao território da Puglia, os irmãos Bellantuono fizeram de nossa paisagem um "tema-objeto"de arte.
As fotografias desta exposição foram feitas na planície das oliveiras, uma zona da Região Puglia ao sul da província de Bari, que compreende as cidades de Monopoli, Polignano, Fasano e Ostuni, nesta área geográfica há uma grande quantidade de Oliveiras Seculares.
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Raízes da Puglia "é uma viagem metafórica para as raízes de uma humanidade de fronteira" onde se vive o limite como duplo sinal de divisão e união.
O fotógrafo e creative designer José Carlos Bellantuono analisa esta sua nova mostra à luz de seu passado e de seu presente: Duas culturas, duas vidas que não se anulam nem se negam, tanto na arte quanto na vida.  “

A mostra está no saguão do edifício Itália e fica até o dia 10 de janeiro de 2010.

A lua como acompanhante









Já durante o vôo ela se mostrava exuberante.
Trouxe com consigo o momento da mudança do verão para o outono na Itália.
Assim tivemos garantidos dias ensolarados mas com um vento fresco vindo do mar chamado “lievante”.
O “lievante” levou toda chuva embora para bem longe de Polignano a Mare e Puglia durante aquela semana.
Nossa chegada já era esperada por alguns dos parentes de nosso grupo. Entre eles estavam Giorgio e Lucrezia.
O Giorgio encontrou seus pais Pasquale e Cleide depois de alguns meses sem vê-los e Lucrezia encontrou a prima que não via há 11 anos.
Por sinal, Lucrezia esteve com todo o grupo todas as noites nos oferecendo após o jantar ( imaginem ! ) ficazza, doces típicos, figo da índia, sempre com sorriso no lábios e muita simpatia.
Tornou-se com o passar dos dias presença obrigatória e fã número 1 do Projeto Santu Paulu.
Já estamos combinando o dia de nosso retorno para empossá-la com a faixa de “presidentessa” do fã clube.
O resto da população de Polignano também nos esperava, só nós não sabiamos que sairiamos mais tarde no jornal e televisão locais.





Finalmente a viagem à Puglia

Chegamos ao meio dia do primeiro dos dias ensolarados que gozamos na Puglia.

Depois de um breve descanso almoçamos todos juntos no restaurante do hotel que nos ofereceu o prato típico dos típicos: rizzo patate e cozze.
Todos aproveitaram a “molemolência” do calor para uma boa tarde de descanso e um passeio de reconhecimento na pequena Polignano.
Porém, com o frescor da brisa do mediterrâneo, os quitutes de Lucrezia, o agito de parentes que vieram ao encontro dos recém chegados.
 Toda noite foi noite de festa !

Missa da alegria




“ No mundo de hoje não existem mais refúgios. Poucos sabem disso, mas um dos últimos paraísos perdidos fica em Polignano a Mare.

Quando se desce a Itália pela costa Adriática (em direção ao calcanhar da bota), vai-se desde Veneza até Bari. Cerca de vinte quilómetros mais ao sul, descobre-se Polignano. Estamos na região da Puglia, com seu litoral escarpado de rochas calcárias, cheio de grutas trabalhadas pelo mar. O planalto beira a praia, deixando apenas réstias de uma areia muito clara, que refletem a forte luminosidade dourada do sol. E tudo isso emoldurado pelo verde-esmeralda de um mar límpido e tranquilo. Só se escuta um suave marulho, escavando dentro das grutas e interligando umas às outras debaixo da cidade, até desenbocar nesta enorme Grotta Palazzese. A cidade aflora liricamente acima da Grotta, como se fosse uma coroa esbranquiçada feita de casinhas e ruelas construídas com a mesma pedra. Para quem vem do mar, Polignano parece estar sobre umiceberg, tamanho é o branco deste rochedo ! ”

Assim começa o conto “Missa da Alegria” escrito por Júlio Mester que está em seu livro homônimo. Toca tão sensivelmente cada canto da cidade de Polignano a Mare que torna impossível acreditar que passeou por ela apenas através das descrições de seu amigo Dr.Callea.
Pois acreditem, Dr. Mester nunca esteve lá pessoalmente !
Porém, a sua capacidade de exercício poético o levou a conhecer a alma desse lugar.
Vale a pena conferir com a leitura de seu livro.

Somos todos mestiços


Por Debora Donadel
A mãe foi a primeira a saber sobre seu desejo de partir. Mais tarde, criou coragem e anunciou a decisão ao pai, avisando que quando estivesse estabelecido na terra nova viria buscá-los. Lá, eles terão mais oportunidades, poderão “vencer na vida”. O filho imigraria antes para conhecer o lugar e preparar a viagem da família.
Esse episódio com variações faz parte da história de toda família. Pode ser o  bisavô que partiu da Itália para o Brasil no século XIX, ou os avós que fugiram da seca do nordeste na década de 50, os tios que saíram do Líbano, ou ainda o irmão que foi o primeiro a decidir a imigrar da Bolívia para tentar a vida em São Paulo.
Não importa de onde nem para onde se vá, é inerente ao ser humano o desejo de mudança, de conhecer novos lugares, de desejar melhorias para sua vida.
No entanto, o homem criou nações e as fronteiras físicas e hierarquizou diferenças culturais.  Levantou barreiras discriminatórias que selecionam quem pode e quem não pode entrar em seu território. Inventou territórios com fronteiras artificiais.
Apesar disso, as pessoas seguem migrando, exercendo o Direito Humano do Ir e Vir.
Em 02 de julho de 2009 o governo brasileiro, na figura de seu presidente, sancionou o Projeto de Lei 1.664-D, de 2007, conhecido como Lei da Anistia Migratória, dando exemplo ao mundo de como tratar a questão da imigração de maneira humanitária. A nova lei autoriza a residência provisória de cidadãos estrangeiros que estejam em situação irregular no Brasil e tenham entrado no país antes de 01 de fevereiro de 2009, além de permitir acesso à saúde e educação públicas e à Justiça, o direito de trabalhar e a liberdade de circulação.
Possibilitar a regularização desses migrantes é uma maneira de diminuir a situação de vulnerabilidade em que possam estar e facilitar o acesso aos direitos e aos deveres de cidadão.
Enquanto o Brasil realiza uma Anistia de caráter humanitário e espera reciprocidade dos outros países (estima-se em 4 milhões o número de brasileiros no exterior) ,o que se vê é o enrijecimento das leis migratórias na União Européia.
A Diretiva de Retorno, aprovada pelos países membros da União Européia em 2008, prevê a criminalização do migrante em situação irregular. Isso significa que o estrangeiro indocumentado poderá ser condenado à prisão.  A deportação ao país de origem aconteceria apenas depois de um cumprimento de pena no país de destino.
Filmes como o italiano “Come um uomo sulla terra” mostram quão cruéis podem ser as prisões direcionadas aos migrantes irregulares. A criminalização de um processo migratório não o impede de acontecer e sempre resulta em uma maior exposição dos migrações a violações de seus direitos.
Os movimentos organizados de Migrantes nos lembram que nenhum ser humano é ilegal. Sua situação pode estar irregular, mas quem decide por essa “irregularidade” são as leis do País. Por exemplo, quem decreta que um italiano que mora e trabalha na França está em condição regular e que o mesmo não vale para um cidadão mexicano é o governo francês. Padrões inflexíveis são criados culturalmente e nos são passados como naturais. Eis a ponta do iceberg da xenofobia, das certezas infundadas, dos preconceitos cristalizados no pensamento de um grupo dominante.
“Bem-Vindo” é outro filme recente que tem como tema a situação do migrante na França. Ao tratar da relação entre um professor de natação francês e um jovem imigrante curdo, discute-se o processo discriminatório na seleção de quem é, afinal, bem-vindo. O filme provocou debates sobre as leis de imigração, que levaram o Partido Socialista francês a redigir um projeto de lei batizado de "Welcome", título original do filme, no qual propõe a supressão do "delito de solidariedade". Tratam-se dos artigos L622-1 e L622-4 do Código de entrada e estadia de estrangeiros, que penalizam com prisão de cinco anos e multa de 30 mil euros a quem ajudar, transportar ou abrigar qualquer imigrante irregular na França.
"Volevamo braccia, sono arrivati uomini" (Queriamos braços, vieram homens). A frase do escritor e arquiteto suíço Max Frisch está na contracapa do best seller “L’Orda, quando gli albanesi eravamo noi”, livro do jornalista italiano Gian Antonio Stella. Com um extenso levantamento sobre a imigração italiana, Stella mostra que a visão xenofóbica sobre os imigrantes de hoje não difere da imagem que se fazia dos imigrantes italianos dos séculos XIX e XX.  O livro traz em anexo uma lista de apelidos pejorativos usados para designar os italianos migrantes em diversas partes do mundo –  na qual o termo brasileiro “carcamano” não foi esquecido.
Mas há sinais que, apesar da xenofobia institucionalizada, existem muitos cidadãos que acreditam que somos todos iguais em nossas diferenças. A região de Salento, na Puglia, recebeu um prêmio por sua acolhida aos imigrantes albaneses que chegavam à Itália atravessando o Adriático.
Eles sabem que somos todos mestiços, filhos de misturas incalculáveis.
Sabem que somos todos imigrantes.

Débora Donadel

Sabor de fazenda


Quais as conexões que poderiam haver entre o viveiro de ervas gastronômicas Sabor de Fazenda, o Projeto Santu Paulu e as tradições pugliese ? TODAS !!!
Para o leitor mais atento deste blog não é necessário repetir que respeito ambiental, a reapropriação criativa de tradições culturais e hábitos saudáveis de alimentação são algumas das características que diferenciam a Puglia no cenário italiano hoje.
O Projeto Santu Paulu tem anos de trabalho incessante que objetiva criar pontes de aproximação de descendentes às suas raízes, não pretendendo congelar ou valorizar atitudes conservadoras, mas , ao contrário, estimular travessias em direção à transformação. Nesse sentido também, busca viabilizar a re-aquisição  da herança de hábitos de respeito ambiental e sustentabilidade por todos.
O Sabor de Fazenda  possui mais de 90 espécies de ervas orgânicas certificadas pela Associação de Agricultura Orgânica (AAO) e funciona como aquele formigueiro citado no blog anterior: nos liga a energia circulando nas entranhas da terra, e o faz no meio da cidade de São Paulo! É um lugar dadivoso no bairro industrial da Vila Maria. Foi fundado em 1993 pela nutricionista e herborista Silvia Jeha que hoje tem sua irmã Sabrina como sócia, nossas amigas e parceiras.
Pois, estaremos com Licena Montanaro ensinando um pouco da culinária pugliese lá no dia 16 de junho das 14 as 16:30h.
Faremos pezza dolce, amaretto, lemoncello e contaremos muitas histórias que cercam essas delícias.
Forneceremos as receitas impressas .
A degustação acompanhada por chás à base de ervas locais não faltará, claro !
É preciso dizer mais ?
O valor da aula é de R$ 80,00
Lá vai o endereço
Av.Nadir Dias de Figueiredo, 395

Culinária pugliese: contemporânea há séculos


Recebi de minha amiga Anna Mantovani um artigo muito interessante que traduz o sentido de tradição, hereditariedade e memória com o qual o Projeto Santu Paulu se alinha.
O artigo se intitula “Puglia: uma cozinha contemporânea há séculos” e foi escrito por Martino Ragusa na revista digital “Il giornale del cibo”.
O artigo completo pode ser acessado aqui.
Disponibilizo a livre tradução de sua introdução abaixo.


“ Puglia: uma cozinha contemporânea há séculos


Mais do que qualquer outra, a cozinha pugliese merece o título de cozinha contemporânea. Porém, o estranho é que para chegar a tal resultado não precisou fazer nada além do que permanecer ela mesma por séculos.
Isto é simples, amante de sabores frescos, do cru, dos cozimentos longos e doces, sua cozinha é ligada à identidade mediterrânea e é mestra na aproximação entre os sabores do mar e da terra. É adversa, no entanto,  às operações de sobreposição de sabores, ao abuso de molhos e a tudo que possa corromper a fragrância das matérias primas.
Essas são as linhas mestras dos teóricos da “nuove cucine” e foi isso o que sempre ocorreu na Puglia.
Boa parte do mérito se deve à felicíssima geografia da região que possui um desenvolvimento costeiro excepcional, vizinhanca entre mar e campo, ausência de muito relevo - com excessão às elevações de Gargano . Tudo isto favoreceu o encontro entre o que se produz na terra com o que se produz no mar, e, principalmente a mistura de saberes gastronômicos provenientes da maiores contradições locais.
Portanto, a cozinha pugliese é única, privada daquelas enormes diferenças determinadas por obstáculos culturais intransponíveis.
Ao estar diante da mesa, a primeira coisa que se observa é que ela nunca é vazia.
Se o ambiente é autêntico já antes de sentar se prepara um “sopratavola” com salsão, erva doce, rabanete, a muzzarella ainda morna retirada na hora do caldeirão e ainda imersa em seu soro, a”giuncata” ( ricota fresca) envolta em folhas verdes esmeralda e a “burrata” de um frescor perfumado.
Uma vez sentados podemos degustar o célebre orechiette com “cime di rape” ou com ragu com brasciola de carne recheada com pecorino, salsinha e alho. Houve tempo em que a brasciola era feita com carne de cavalo, hoje se prefere a carne de vitela. O termo italiano orechiette deriva do dialeto “ricchietelle” e é só um entre tantas denominações.
.............. ”
O texto  continua e descreve outras delícias e suas origens.
Reforça o entendimento de que a prática da tradição tem na base e motor a transformação e portanto, ultrapassa de longe o mero conservadorismo “típico” . Ou seja, tradição e criação são termos indissociáveis.


Anna Mantovanni e Marcos Aidar tem o blog www.viajeconosco.multiply.com

Fischietto



A produção do “fischietto” (apito) de terracota é uma importante e antiga tradição em Rutigliano.
Sua origem se encontra nos usos e costumes populares. São objetos pequenos, em formatos os mais bizarros e pintados em cores vivas, com valor ludico e simbólico.
Até pouco tempo, no dia 17 de janeiro, festa de Santo Antonio Abate, protetor e padroeiro dos camponeses, era costume que os rapazes presenteassem sua amada com um cesto de frutas, símbolo dos produtos da terra, e um “fischietto” em forma de galo, símbolo de virilidade.
Hoje, a tradição continua pelas mãos dos artesnãos locais e pela realização regular de um evento de grande sucesso que é a “Feira do Fischietto” nas ruas de Rutigliano, durante a segunda quinzena de janeiro.


Fava e foglie



Esse é um prato camponês preparado com a leguminosa que é considerada rainha por bareses: a fava. Lá é encontrada fresca ou seca. Aqui no Brasil somente a encontramos seca.
Assim como sua prima espanhola “paella”, era oferecida em um único prato de grande dimensão. Cada comensal se servia com sua colher sem transferí-la para outro prato.
Possui grande valor nutritivo e associada à verdura e óleo de oliva é um bom exemplo dos hábitos saudáveis de nossos antepassados que conseguiam dentro da escassez aproveitar sabiamente seus recursos naturais. De fato a verdura usada na Puglia pode ser a chicória, mas havia outra que podia ser encontrada em Polignano “assim como mato” - nos conta Licena Montanaro - que era a serralha. Seus acompanhamentos serão outros vegetais como pimentão, pepino, azeitonas e cebola.
Lamentavelmente, por não a encontrarmos fresca, não conhecemos pratos como “fave crete” ( salada com favas frescas) ,”minestra di fave fresche”, “fave fresche e pasta” e ‘pasta, fave fresche e gamberetti”.
Porém, saborear a “fave e foglie” é quase um ritual para “bareses paulistanos”.
Por sinal, preparar o prato também é um ritual no qual há necessidade de tempo e se exercita atenção e paciência. Sua maneira de prepará-lo é conhecida entre pugliesi como “poema lirico-sinfonico a ritmo antico”.

Veja como se compõe esse “poema lirico-sinfonico a ritmo antico” no video abaixo, prove fazê-la  e “dopo, buon appetito” !

Trani





Trani é o menor dos portos pesqueiros do litoral pugliese e o mais alegre e charmoso.
A existência de um porto natural na área pode ter facilitado o surgimento dos primeiros povoados, graças ao clima agradável, o mar rico de peixes e o terreno fértil.
A cidade conheceu dias de glória econômica e prosperou tanto a ponto de estabelecer-se como empório comercial entre o Oriente Médio e as outras regiões italianas. Para isso contribuiu também a importante comunidade hebraica que vivia no coração da cidade antiga na época.
Mas foi durante o período normando-svevo (sec. XI/XII) que Trani tocou o auge de sua história e formou seu monumental patrimônio arquitetônico, graças ao talento e à genialidade de artistas e escultores locais.
Subindo a Via Cavour, atrás da Piazza della Reppublica, encontra-se a cidade antiga e o porto de Trani. Na cidade antiga há ruas e construções de pedras polidas, igrejas medievais e uma enseada cheia de barcos pesqueiros. Realmente muito charmoso.Mas o que mais me encanta em Trani, é a visão de sua linda Catedral, construída num cenário espetacular: uma espaçosa e esplêndida praça, que se projeta sobre o mar. É de tirar o fôlego!
A Catedral, do século XI, considerada uma das mais bonitas da Puglia, tem como vizinhos, de um lado o bonito Castelo svevo e de outro o sugestivo porto, quase uma marina, de tão pequenino.
Um século depois de terminada, ganhou o alto e imponente campanário.
Trani teve uma grande comunidade judia durante a Idade Média, e ainda há uma Via Sinagoga na cidade antiga. Duas das quatro sinagogas que existiram ainda sobrevivem, assim como as igrejas do século XIII de Santa Anna, onde ainda há uma inscrição em hebraico, e Santa Maria Scolanova.
O Castelo svevo, possivelmente construído nos anos 1200 sobre uma antiga fortificação normanda, tem planta quadrada e torres de diferentes tamanhos: menores, dando para o mar, de onde um ataque seria praticamente improvável, e maiores, dando para a terra. Esse poderoso edifício ainda conserva muito de sua beleza e formas originais. Ocupando o mesmo ângulo de visão da Catedral, o Castelo é o complemento arquitetônico ideal de um ambiente urbano de incomparável valor cenográfico.
Graças ao solo fértil, Trani possui numerosas vinícolas, famosas sobretudo pela produção do vinho tipico local D.O.C. mais antigo e mais conceituado da Puglia: o Moscato di Trani. Esse vinho doce casa muito bem com as delícias típicas da região como os doces de amêndoas ou até com uma suculenta salada de frutas.
A Puglia é responsável por 40% da produção italiana de azeite e Trani colabora com grande parte desse percentual, oferecendo um óleo de extraordinária qualidade, respondendo de forma impecável aos requisitos exigidos pelos experts do setor.


Castel del Monte




Para conhecer o Castel del Monte deve-se ir parque nacional de Gran Sasso nos arredores da cidade de Andria,ao norte de Bari.
É considerado pela UNESCO como patrimônio da humanidade desde 1996.
A história do castelo é cercada de muita imprecisão e especulação pois a função de sua construção não é conhecida e nunca se justificou. É uma edificação normanda medieval construída por volta do século XIII solicitada pelo imperador normando Federico II.
Goza de uma posição panorâmica estratégica mas não era fortificado, encontrando-se em uma extensa planície árida ( gran sasso - grande pedra).
Possui extrema precisão matemática em sua construção sobre a qual se projetam muitos simbolismos a começar pelo fato de que tudo nele se remete ao número oito. Possui formato octagonal, oito torres, oitos salas em cada um de seus dois andares que por sua vez, direcionam-se para uma área interna octagonal.
Já foram consideradas as hipóteses de residência de caça, fortaleza militar ou um tipo de templo, mas no castelo existem elementos que confirmam e contradizem todas essas possibilidades.
Portanto, toda conclusão é sempre ambígua aumentado assim o interesse em explorá-lo.
Outra hipótese considerada e a mais aceita e popular é de que era um observatório astronômico.

De fato, é irresistível o desejo de deitar para olhar o céu emoldurado pelo octágono quando se está em seu jardim interno.
O oposto também é interessante.
Observar Castel del Monte a partir da foto de satélite faz constatar sua enorme precisão construtiva e reforça a fantasia de que possuia também um sentido esotérico.
Vai saber .....

Castellanagrotte


Castellana é uma cidade vizinha a Polignano a Mare.

Seu subsolo é formado pelo maior complexo espeleológico encontrado em toda a Itália que possui mais de 2km de extensão que o torna um dos principais pontos turíticos da Puglia: as grutas de Castellana.

Elas são um conjunto de cavidades escavadas sob um solo calcário pelo movimento contínuo das águas que geraram cavernas profundas e longos túneis.

A sua espetacularidade são as formações de imensas estalactítes em seu interior. A paisagem formada por elas é de um relevo irregular com colunas de transparência cristalina plena de reflexos de luz e muitas "esculturas" naturais. São exemplares desse cenário a "Grotta Nera", o "Cavernone dei Monumenti". o "Cavernoni della Civetta" , a "Cavernetta del Presepe" e a belíssima "Grotta Bianca".

Apesar de exigir do visitante uma disposição especial para caminhadas o passeio à Castellana Grotte traz momentos de beleza inesquecíveis.





Nonna Stella que se tornou mundialmente conhecida no youtube ensinando receitas típicas através das vídeo receitas produzidas por seu neto Michele.
A última das cidades citadas do Vale d’Itria, Martina Franca possui alguns diferenciais dentre as outras duas. Possui grutas, uma arqueologia industrial e um maior número de obras de arte concentradas.
Seu centro histórico possui excelentes condições de conservação arquitetônica e sendo assim, permite uma imersão mais aprofundada no espírito barroco pugliese a exemplo da Igreja de San Domenico onde se encontra uma tela chamada “Madonna del Rosario” de autoria de Domenico Carella de rara beleza.
Porém, Martina Franca ganhou há pouco tempo destaque através de um de seus personagens a “nonna Stella” que se transformou em referência de culinária pugliese no youtube.
Seu neto Michele já editou 24 video receitas que giram o mundo e ultrapassaram 100mil acessos.

Vinhos D.O.C. pugliese




A fertilidade do solo da Puglia é sempre citada e suas características ambientais igualmente.

Seu terreno calcário associado ao seu clima faz com que tenha uma boa variedade de vinhos conhecidos como D.O.C. ( denominação de origem controlada).

Explica-se: denominação de origem é um conceito aplicável à designação de determinados vinhos cuja originalidade e individualidade estão ligados de forma indissociável a uma determinada região, sendo: vinhos originários e produzidos nessa região, vinhos cuja qualidade ou características se devem essencial ou exclusivamente ao meio geográfico incluindo os factores naturais e humanos.



Segundo Francesco Carofiglio no guia turístico cultural editado pela editora Mario Adda, Bari, são 24 os referidos vinhos. Abaixo reproduzimos a listagem citada que foi mantida em italiano onde constam o nome do vinho, suas características e sua cidade de origem.





ALEATICO Dl PUGLIA

liquoroso, dolce naturale

Provinda di Lecce, Brindisi, Taranto, Bari e Foggia

ALEZIO

rosso, rosso riserva, rosato

Alezio, Sannicola e parte di GaHipoli e Tuglie (Lecce)

BRINDISI

rosso, rosso riserva, rosato

Brindisi e Mesagne

CACC'E MITTE Dl LUCERA

rosso

Lucera, Tróia, Biccari

CÁSTEL DEL MONTE

bianco, rosso, rosso riserva, rosato Minervino Murge e parte di Andria, Corato, Trani, Ruvo, Paio dei Colle, Toritto e Isola amm.va d'Ameli dei comune di Binetto.

COPERTINO

rosso, rosso riserva, rosato

Copertino, Carmiano, Arnesano, Monteroni

e parte di Lequile e Galatina

GIOIA DEL COLLE

bianco, rosso, rosso riserva, rosato, primitivo, primitivo riserva, aleatico dolce nat., aleatico dolce ris., aleatico liquoroso dolce Acquaviva delle Fonti, Adelfia, Casamas-sima, Cassano Murge, Castellana Grotte, Conversano, Gioia dei Colle, Grumo Ap-pula, Noci, Putignano, Rutigliano, Sammi-chele di Bari, Sannicandro di Bari, Sante-ramo in Colle, Turi e parte di Altamura.

GRAVINA

bianco, spumante

Gravina di Puglia, Poggiorsini e parte di Altamura e Spinazzola

LEVERANO

bianco, rosso, rosso riserva, rosato

Leverano e Isola amm.va tra Arnesano e Copertino

LIZZANO

rosso, rosato. Negro amaro rosso. Negro amaro rosato. Malvasia nero, bianco, rosato spumante, bianco spumante

Lizzano, Faggiano e Isole amm.ve dei Comune di Taranto.

LOCOROTONDO

bianco, spumante

Locorotondo, Cisternino e parte di Fasano

MARTINA FRANCA (o MARTINA) bianco, spumante

Martina Franca, Alberobello e parte di Ce-glie Messapico e Ostuni

MATINO

rosso, rosato

Matino e parte di Parabita, Alezio, Taviano,

Casarano, Melissano, Tuglie e Gailipoli

MOSCATO Dl TRANI

dolce naturale, liquoroso

Trani, Bisceglie, Corato, Ruvo, Andria, Ca-

nosa, Minervino e parte di Cerignola, Trini-

tapoli, Barletta, Terlizzi, Bitonto

NARDO

rosso, rosso riserva, rosato

Nardo e Porto Cesáreo

ORTA NOVA

rosso, rosato

Orta Nova, Ordona e parte di Ascoli Sa-

triano, Foggia, Carapelle e Manfredonia

OSTUNI

bianco, rosso

Ostuni, Carovigno, S. Vito dei Normanni,

S. Michele Salentino e parte di Latiano, Ce-

glie M., Brindisi

PRIMITIVO Dl MANDURIA

dolce naturale, liquoroso dolce naturale, liquoroso secco

Manduria, Carosino, Pulsano, Leporano, Sava, Faggiano, Roccaforzata, S. Marzano, S. Giorgio J., Fragagnano, Lizzano, Torri-cella, Maruggio, Avetrana e parte di Talsano e Taranto       ,

ROSSO BARLETTA

rosso, rosso «invecchiato»

Barletta, S. Ferdinando di Puglia, Trinitapoli

e parte di Andria e Trani

ROSSO CANOSA

rosso, rosso riserva Canosa di Puglia

ROSSO Dl CERIGNOLA

rosso, rosso riserva

Cerignola, Stornara, Stornarella e parte di

Ascoli Satriano

SALICE SALENTINO

rosso, rosso riserva, rosato, rosato «invecchiato»

Salice Salentino, Veglie, Guagnano, S. Pan-crazio, Sandonaci e Parte di Campi Salen-tina a Ceilino S. Marco

SAN SEVERO

bianco, spumante, rosso, rosato

S. Severo, Torremaggiore, S. Paolo Civitate e

parte di Apricena, Rignano, Lucera, Castel

Nuovo d. Daunia, Poggio Imperiale e Lesina

SQUINZANO '

rosso, rosso riserva, rosato

Squinzano, S. Pietro Vernotico, Torchia-rolo, Novoli e parte di Campi Salentina, Surbo, Lecce, Trepuzzi, Ceilino S. Marco