terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Matera e o cinema
Matera é uma cidade que hoje pertence à região Basilicata, porém integrou a região Puglia. De fato está na fronteira entre as duas regiões.
A paisagem de Matera evoca um lugar remoto na memória.
Ela é dividida por um vale profundo, uma “gravina”, em torno do qual estão as duas áreas urbanas conhecidas como Sassi. Os Sassi são constituidos por uma arquitetura rupestre, também conhecida como “arquitetura negativa” pois não soma à superfície uma construção, mas subtrai material do solo formando assim as cavernas que foram habitadas até a década de 50.
Há 80milhões de anos a região constituia o fundo do mar.
http://www.digitravel.com.br/blog/69/matera-italia
Pasolini ao escolher Matera como locação de seu filme “O Evangelho segundo São Mateus” em 1964 não o fez apenas pelo descrito acima. Segundo o professor Massimo Fusillo partia de um “lugar símbolo de uma cultura extremamente arcaica, mágico-sacral, na Lucânia (sul da Itália), um lugar pouco integrado ao sistema nacional italiano que foi objeto de estudo do famoso antropólogo Ernesto de Martino”.
O filme foi realizado somente com não atores ( Maria foi interpretada pela mãe de Pasolini,Cristo por um caminhoneiro espanhol ) em um dos locais mais pobres da Itália na época.
( http://www.italiaoggi.com.br/not09-1202/ital_not20021015b.htm )
Após 40 anos de sua estréia, em 2004 foi lançada a edição restaurada do filme.
Seu relançamento ocorreu dias após a estréia do filme de Mel Gibson “A paixão de Cristo", também rodado em Matera.
Depois disso ainda outros dois filmes foram rodados lá:
“Maria Madalena” em 2005
http://www.cineclube.org/programacao/art.php?artid=192
e
“Jesus a história do nascimento” ( Nativity Story ) em 2006
http://br.cinema.yahoo.com/filme/13969/jesusahistoriadonascimento
Na contramão da proposta de Pasolini e da abordagem de De Martino, as super produções posteriores não abrem espaço de acesso para a memória e reduzem a paisagem de Matera a “pano de fundo”.
Conhecer Matera é tocar uma dimensão remota do tempo e ampliar camadas da percepção.
Talvez seja este o ponto de conexão com o cinema, já que o tempo é a potência evocada para aqueles que a conhecem.
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